Corte a Laser
Raio Laser
Essa era a expressão para identificar
uma arma futurística, por muito tempo foi usado
apenas em filmes de ficção, lentamente
foi se popularizando tendo uma forte aplicação
em equipamentos médicos e odontológicos,
e mais recentemente, passou a fazer parte da cadeia
produtiva, sendo largamente utilizada nas indústrias
metalúrgicas.
Laser é luz- O nome laser traduzido para o português
quer dizer “amplificação da luz
por emissão estimulada da radiação”.
O uso do laser pode ser entendido mais facilmente se
você imaginar o que acontece quando focalizamos
raios de sol através de uma lente, para produzir
uma fonte concentrada de energia, na forma de calor,
sobre uma folha de papel.
Excitação- processo em que se transfere
energia para um sistema
Veículo ativo
Material utilizado para converter energia elétrica
em energia de radiação. Embora desse
método resultem apenas uns poucos buracos queimados
no papel, ele nos mostra que a luz é realmente
uma fonte de energia com potencial e condições
de ser processada e explorada do ponto de vista industrial.
Laser é um sistema que produz um feixe de luz
concentrado, obtido por excitação dos
elétrons de determinados átomos, utilizando
um veículo ativo que pode ser um sólido
(o rubi) ou um líquido (o dióxido de
carbono sob pressão). Este feixe de luz produz
intensa energia na forma de calor. A incidência
de um feixe de laser sobre um ponto da peça
é capaz de fundir e vaporizar até o
material em volta desse ponto.
Desse modo, é possível furar e cortar
praticamente qualquer material, independentemente
de sua resistência mecânica. Atualmente,
o tipo mais comum de laser usado na indústria
utiliza o dióxido de carbono (CO2) como veículo
ativo. Outros gases, como o nitrogênio (N2)
e o hélio (He), são misturados ao dióxido
de carbono para aumentar a potência do laser.
O grande inconveniente do laser é que se trata
de um processo térmico e, portanto, afeta a
estrutura do material na região de corte.
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Como é gerado o laser?
Os elétrons dos átomos
de carbono e oxigênio, que compõem
o CO2, ocupam determinadas posições
dentro da estrutura do átomo. Essas posições
são chamadas de níveis energéticos,
que podem ser entendidos como regiões
ao redor do núcleo dos átomos.
Um dispositivo chamado soprador
faz circular CO2 dentro de uma câmara, onde
existem dois eletrodos ligados a uma fonte de
alta-tensão. Esses eletrodos criam um campo
elétrico que aumenta a energia do gás
dentro da câmara e em razão desse
acréscimo, os elétrons dos átomos
que formam o CO 2 se excitam e mudam de nível
orbital, passando a girar em níveis mais
externos. Após algum tempo, os elétrons
voltam ao seu nível energético original
e nesse retorno, eles têm de eliminar a
energia extra adquirida.
Mudança de nível
energético do elétron (ganha energia).
Existem duas maneiras de se perder energia:
por colisão e por emissão espontânea.
No primeiro caso, quando o elétron se
choca com outro, sua energia é consumida.
Na emissão espontânea, ocorre uma
liberação de energia na forma
de luz. Esta luz emitida estimula a emissão
contínua, de modo que a luz seja amplificada.
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Mudança de nível energético
do elétron (perda de energia). Essa luz é
guiada e novamente amplificada por meio de espelhos,
até que no cabeçote da máquina,
é concentrada através de lentes num
único ponto: foco. O direcionamento permite
a concentração de energia em um ponto
inferior a 0,25 mm de diâmetro. O sistema de
corte a laser combina o calor do raio focado com a
mistura de gases (dióxido de carbono, nitrogênio
e hélio) para produzir uma potência que
chega a cerca de 5.000 watts por centímetro
quadrado, capaz de vaporizar a maioria dos metais.
O hélio auxilia ainda na dissipação
do calor gerado pelo campo elétrico.
Equipamento de corte a laser:
O futuro que já é
presente Os sistemas de corte a laser não
podem ser operados manualmente, pois o processo
envolve alta concentração de energia,
uma vez que o feixe deve ser muito concentrado
e o corte ocorre a velocidades muito altas.
O equipamento mais comum consiste
em mesas móveis, com capacidade de movimentação
segundo os eixos x, y e z. Os eixos x e y determinam
as coordenadas de corte, enquanto o eixo z serve
para corrigir a altura do ponto focal em relação
à superfície da peça, pois,
durante o corte esta distância é
afetada por deformações provocadas
na chapa, pelo calor decorrente do próprio
processo.
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As coordenadas de deslocamento, geralmente, são
comandadas por um sistema CAD. (Projeto assistido
por computador), acoplado à mesa de corte.
Nas máquinas de corte a laser, o material a
ser cortado normalmente encontra-se em forma de chapas,
embora existam máquinas que se destinem ao
corte de tubos.
A chapa é colocada sobre uma espécie
de "cama de pregos", apoiando-se em vários
pontos. Sobre ela o cabeçote laser movimenta-se
em duas direções: longitudinal e transversal.
Esses movimentos são transmitidos por motores
elétricos, controlados por computador. Pelo
cabeçote laser flui um gás, chamado
gás de assistência que tem por função,
entre outras, remover o material fundido e óxidos
da região de corte.
O gás normalmente usado para esta finalidade
é o oxigênio, porque ele favorece uma
reação exotérmica, isto é,
libera calor, aumentando ainda mais a temperatura
do processo e por conseqüência, a velocidade
de corte. Entretanto, o nitrogênio pode ser
preferido como gás de assistência quando
forem necessárias superfícies livres
de óxidos, como no corte de aços inoxidáveis.
As máquinas de corte a laser podem cortar
chapas de aço-carbono de até 25 mm de
espessura.
Ao contrário do que se poderia pensar, sua
capacidade de corte de chapas de alumínio,
por exemplo, é bem menor: corta chapas de 10
mm, no máximo. Isso se explica pela tendência
do alumínio ao empastamento e à reflexão
da luz. Fatores que afetam o corte a laser
Os gases para corte normalmente são fornecidos
em cilindros de gases puros, mas, também podem
ser entregues pré-misturados. As impurezas
na mistura de gases podem baixar o desempenho do laser
de CO2, diminuindo a potência de saída,
tornando a descarga elétrica instável
ou aumentando o consumo dos gases. A potência
do feixe é outro fator que determina a capacidade
do laser de interagir com o material a ser cortado
e iniciar o corte. Em geral, o aumento da potência
permite cortar com velocidades maiores, mantendo a
qualidade de corte inalterada.
A velocidade de corte deve ser determinada em conjunto
com a potência, a pressão e vazão
do gás de assistência. Valores muito
elevados de velocidade tendem a produzir estrias na
superfície de corte, rebarbas na parte posterior
da superfície atingida pela radiação
e até mesmo impossibilidade de realizar o corte.
Velocidades baixas, por outro lado, produzem um aumento
da zona termicamente afetada e um decréscimo
na qualidade do corte. O gás de assistência
deve ter vazão suficiente para remover o material
fundido proveniente do corte.
Materiais como plásticos, madeiras ou borrachas,
permitem utilizar vazões mais elevadas. O ponto
focal é o ponto de concentração
máxima de energia do feixe. No caso de chapas
finas, deve ser colocado na superfície. Se
as chapas forem grossas, o ponto focal deve ser ajustado
para regiões ligeiramente abaixo da superfície,
desde que não ultrapasse 1/3 da espessura da
chapa.
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Quando usar e não usar o corte
a laser?
O uso de máquinas de
corte a laser é recomendado quando as
peças apresentarem formas complicadas
e for exigido um acabamento de superfície
praticamente livre de rebarbas na região
de corte. Como esse processo não requer
“estampo de corte”, é possível
produzir rapidamente lotes pequenos e diversificados.
O fato de o laser de CO2 gerar uma imensa intensidade
de calor não significa que ele possa
vaporizar e cortar todos os metais conhecidos,
pois, cada material reage de forma diferente
a esse tipo de energia.
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A seguir são apresentados comentários
sobre o comportamento de alguns materiais em relação
ao corte a laser.
Aços não ligados: Podem
ser facilmente cortados a laser, principalmente se
o gás de assistência for o oxigênio.
A qualidade de corte é boa, produzindo pequenas
larguras de corte e bordas retas, sem rebarbas e livre
de óxidos.
Aços inoxidáveis:
Chapas finas podem ser cortadas com excelente resultado.
Não é possível cortar chapas
tão espessas como as de aços não
ligados.
Aços-ferramenta: São
difíceis de cortar por outros métodos
convencionais, por causa do alto teor de carbono,
mas, apresentam boa qualidade de superfície
quando cortados a laser.
Alumínio e suas ligas: A
espessura máxima que pode ser cortada a laser
situa-se por volta de 10mm a 12mm, pois, como já
foi dito, o alumínio reflete a luz e é
bom condutor de calor, dificultando a concentração
de energia.
Cobre e suas ligas: Assim como o
alumínio, também apresenta tendências
a refletir a luz. Para o corte de peças não
planas, é extremamente importante a proteção
contra radiação refletida.
Titânio e suas ligas: Pode
ser cortado a laser, desde que a zona de corte seja
protegida por um gás inerte (CO2, He, N2),
que evita a oxidação pelo ar. Na face
posterior do corte deve ser injetado um gás
igualmente inerte, que ajuda a eliminar as gotas ardentes
de metal fundido.
Outros materias: O laser corta ainda
vários outros materiais não metálicos
como: polímeros, têxteis, couro, cerâmica,
rochas etc.

Vantagens e desvantagens do laser
Vantagens: Por ser uma forma de
energia concentrada em pequena área, o corte
a laser proporciona cortes retos, pequena largura
de corte, zona mínima afetada pelo calor, mínima
distorção e arestas de excelente qualidade.
Por ser uma luz, não entra em contato direto
com a peça, não causando distorções
e não se desgastando. É um sistema de
fácil automatização, permite
cortar peças de formas complexas e não
requer a troca de "ferramenta de corte"
cada vez que é substituído o material
a ser cortado.
Desvantagens: Pode-se destacar:
o alto custo inicial do sistema; a pequena variedade
de potências disponíveis que limitam
o corte a espessuras relativamente baixas e a materiais
que apresentem baixa reflexão da luz; a formação
de depósitos de fuligem na superfície
no corte de materiais não-metálicos
como madeira e couro; a formação de
produtos tóxicos (ácido clorídrico),
no corte de PVC.
O laser representa uma tecnologia nova e pouco familiar
para uma boa parte das empresas metalúrgicas,
acostumadas aos sistemas convencionais de corte. Mas
a superação das limitações
atuais e a construção de sistemas mais
adequados às necessidades e disponibilidades
financeiras das pequenas e médias empresas
são perspectivas que tornam o laser uma tecnologia
de grande potencial para o futuro próximo.
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